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Saturday, August 28, 2010

hiper-mobilidade do olho.

Sou o cine-olho mecânico. Eu, máquina, mostro a vocês o mundo como só eu posso vê-lo. Liberte-me agora, e para sempre, da imobilidade humana, estou em um movimento de ininterrupto, me aproximo e me distancio dos objetos, deslizo por baixo, monto em cima deles, avanço ao lado de um focinho de um cavalo que galopa, mergulho a toda velocidade na multidão, corro diante de soldados que avançam para o ataque, caio de costas, avanço voo ao mesmo tempo em que o avião, caio e voo com os corpos que caem e alçam voo. Livre dos quadros de tempo e de espaço, justaponho todos os pontos do universo onde quer que os tenha fixado. meu caminho leva a criação de uma percepção nova do mundo. eis por que decifro de maneira nova o mundo desconhecido por vocês.

Dziga Vertov, "Résolution du Conseil des Trois du 10 abril 1923", Articles, Journaux, Projets, Paris: Cahiers du Cinema, 1972, pp. 30-31 apud . Philippe Dubois "Cinema, Vídeo, Godard" pag. 188

Tuesday, August 03, 2010

A originalidade da fotografia.

Uma passagem célebre de André Bazin,

“A originalidade da fotografia em relação à pintura reside em sua objetividade essencial(...) Pela primeira vez, entre o objeto inicial e sua representação, nada se interpõe a não ser um outro objeto. Pela primeira vez, uma imagem do mundo exterior se forma, automaticamente sem a intervenção criadora do homem, segundo um rigoroso determinismo. A personalidade do fotógrafo entra em jogo somente pela escolha orientação, pela pedagogia do fenômeno; por mais visível que ela seja na obra acabada, já não figura nela como a do pintor. Todas as artes se fundam na presença do homem; unicamente na fotografia é que fruímos da sua ausência.

A. Bazin, “Ontologia da imagem fotográfica” (1945), incluído em "A experiência do cinema", antologia organizada por I. Xavier, 3 ed, São Paulo, Graal, 2003.